Doce gatinho

Vem cá,
vem gatinho matreiro!
Para de me olhar assim,
e vem jazer aqui no meu regaço.
Guarda essas garras afiadas,
e deixa-me mergulhar nesses caminhos
aos quais teu belo olhar de ônix,
me conduz!
Permita que meus dedos te cubram
de carícias,
e afaguem esses seus medos
imprevistos,
tão versado em tua íris.
Deixa que eu roçague meus dedos
no teu dócil torso,
e ensarte minhas garras
na tua cabeça de brancura nívea.
Vem, vem, amável felino.
Deixe-me senti-lo mais de perto!
Se apeie, 
saia dessa cesta que o aprisiona,e vem.
Sem deixar rastros.
Vem sentir minhas mãos já embriagadas
pelas delícias que irei te permitir,
se deixares que eu afague o teu elétrico lombo,
e  te cubra das cabeças aos pés
de um amor profundo, e arteiro.
E, se tudo isso não te bastar,gatinho,
serei , impecável.

Vem, gatinho,vem sem medo.
Esfacele-se  em mim
e te prometo,
não haverá escolhos.
Te farei dormir da maneira mais airosa do mundo.
Colocarei as mais belas canções clássicas
para escutares.
Sem ruídos.
Eugênia Morais
                                           

Gaivotas,gaivotas...



Doces gaivotas





 Que ninguém me impeça,
que ninguém tente me desassossegar.
Meu fôlego anseia
envolver-me  nessa névoa
erguer-me desse chão
e pôr-me a voar,com as gaivotas.
Não sei aonde essa transposição irá me levar.
Nada sei do destino dessas aves desatinadas
a barulhar.

Talvez para o além?

Só sei que quero voar
de encontro a harmonia dos astros,
que por certo, no caminho deverão estar, 
 a esperar passivamente, a passarada,
com seus gritos ásperos e roucos.

Quero achar, em algum atalho no céu,
de carona nas asas cinzas da gaivota.
a regra elementar do meu destino.
Quem sabe,encontrarei no ar,
também voando,
algum sonho de um menino?

Eugênia Morais








Meu filho,minha criança...






Queria,
no crepúsculo de todas as tardes
que já esvaeceram,
poder estacar o tempo,
e todas as palavras que disseram adeus.

Queria,
fazer adormecer os últimos raios de sol,
em cada segundo
para que um novo dia chegasse  iluminado
com pinceladas de alegrias inalteráveis.
 E que elas fosse eternas,
ou ainda ecoassem no vento.

Distante e inatingível está o passado
que um dia te fez sair do meu útero,
 e se aninhar pequenino e indefeso nos meus braços,
abraços, afagos e noites mal dormidas.
Tudo se esvai
Sempre. Lentamente.
Até as dores,em pinceladas de melancolia.

Ah, cruel céu mutante de muitas galáxias!
Somos hoje passageiros de uma agonia que se desfaz
em brumas e beijos de sonhos.
Nada mais que isso. 
E tudo é levado atrozmente pelo tempo,
numa série ininterrupta e eterna de instantes.
Porém, ainda resta uma luz que flutua no teu olhar,
ressuscitando todas as cores que o tempo levou
da tua infância,
 e que tanto me fizeram feliz,
única e poderosa.
A tua imagem hoje, ainda presa  a mim
mesmo que modificada,
madura e
crescida,
 traz versos que me prendem,
e colam minh'alma à tua.
Há ainda uma sintonia só nossa,
trépida no teu olhar.
E é através desse teu olhar,
meu menino-homem-grande
que ainda te vejo criança,
 ainda desejo desesperadamente
que me beijes,
e que me chames de “mamãe”,
daquele jeitinho que me chamavas
quando pisavas na areia daquela praia
repleta de pássaros,
que inocentemente
te levaram , fazendo-te voar
para tão longe de mim.
Não sei dizer para aonde foi aquela criança
de sorriso maroto
e olhos puros.
Talvez esteja ai dentro de ti
escondida,
na voz que hoje repousa mais rouca, mais temporal
guardando a alma de menino,
de bala e algodão doce, de riso e inocência.

Só, quero de ti,hoje, filho amado,
que continues a correr ,
por caminhos em branco que esperam tua passagem.
Não mais me deterei nas memórias de um ontem,
que devorou os meus sonhos.
Curvar-me-ei  ao vento!

Mas, 
te peço, filho amado:
Não voe,nunca jamais, para tão longe de mim,
até que eu me vá...
E, antes que o sol se vá de vez,
para nunca mais voltar,
(que nem aquela criança que você foi) 
só te peço ,nesse instante,
que me abraces,
me afagues
e me sorria sem nada dizer.



A vida prossegue.Segue.
Indiferente aos meus devaneios que se perdem em alto mar.

Eugênia Morais



 



Olhei essa fotografia fascinante , e lembrei de meu filho.
Quando pequeno, eu o levava muito para a praia, e ele gostava de correr nos fins de tardes,na areia branca,para tentar pegar pássaros que pousavam na beira do mar.
Ele cresceu, já é um homem, e hoje ao ver essa imagem,senti uma pontinha de melancolia, e muita saudade daquele garotinho pequeno e indefeso que gostava de chutar  para o alto , a espuma da água que teimava em se formar,no mar.
É estranho quando paramos para questionar a nós mesmas, - mães, que um dia embalamos os filhos - para aonde foram  as nossas crianças. Eles crescem tão rápido,se transformam nm soprar do vento, e voam,  mas das nossas mentes, a lembrança infantil,nunca se vai!








Fim do dia, para sempre...



Está chegando a hora da partida.
A tarde, imperturbável, porém já cansada de esperar tantas horas ,
se veste de nuvens obscuras,
permitindo que as sombras imutem-a.
Que pena!
Dentro de mim, a tarde já fazia festa,
juntamente com o vento, que bafejava meus cabelos...
Agora, tudo é tarde.
Vai acabar.
Tudo é conformismo e silêncio total , nessa despedida do dia.
A terra está parando para o esperado repouso.
As nuvens, aquietam-se.
O céu, aos poucos, vai revelando a presença do Senhor da paz e do amor,
para que sejamos consolados com a esperança
do amanhã.
As águas calam silenciosas e  adormecem, refletindo graciosamente
o que de mais puro, e perfeito há na natureza.
O sol, timidamente colore uma montanha , abrindo uma pequena porta
para a tarde sair...
Longe dali,  lagos e rios bocejam ao som dos pardais.
A brisa se arrasta suavemente por entre as margens das quietas águas.
Para aonde teria ido o vento, que a pouco sibilava ,
faceiro e radiante?
Tudo está se calando...
 Que não fujam meus sonhos!




Em boa hora,  irei-me também daqui.
Que não me falte o brilho da luz,
e que o embalo da sonata
nine minha fragilidade.
Não quero que a noite me encontre,
com sua terrível penumbra,
a roubar-me quiçá,  meus sonhos.
A noite é insaciável.
Impassível,  ela espreita esperando a hora exata de entrar,
e expulsar o dia.
  Dia esse, que dormirá para sempre.
Temo,
que ela possua-me , afogue-me
em seus mistérios, ou até  me leve daqui, para sempre,
junto com esse dia prestes a extinguir-se.
Não quero dormir para sempre...

Fujam, fujam, fujam, meus sonhos!



Boa tarde,tarde.
Adeus!
Caminharei  por entre as imagens refletidas
nas águas adormecidas,
e alcançarei no final da margem ,
o caminho que me ajudará
a ir além do imenso infinito,
até que encontre meus fugitivos sonhos.
E, se  abençoada for, mais uma vez,
  encontrarei os braços do meu amor,
para repousar minha cabeça.

E,
se eu der sorte, de novo ,
quem sabe?
Poderei viver um novo dia,
amanhã!

Eugênia Morais

 Doce e atrativa  cachoeira...


É uma atração imperdível.
Basta olhar, e sentiremos toda a beleza e magia,
no mais profundo d'alma!
É algo para sonhar.
De olhos abertos e incansáveis.



E, no meu mais doce semi profundo sono, consigo ouvir ao longe o barulinho das águas entoando
uma melodia clássica nos meus ouvidos.
Será mesmo, tudo isso,real?
Não seria um doce sonho,do qual breve irei despertar?
Num abrir e fechar de olhos,bem rápido, continuo percorrendo
meu olhar nas águas azuladas que derramam fascinação nas minhas mais ínfimas
explicações do que é, ou não é ,real!
Me deixo então, calmamente arrastar-me pelas águas.
Sim! Irei nessas águas,mesmo sem barco ou jangada.
Irei para lugar nenhum... 
Ou então ficarei aqui, em estado de repouso,
olhando cada parte mágica dessa extraordinariamente bela imagem,
até adormecer com meus olhos úvidos,
em um dos meus sonhos mais longiquos...
...
Eugênia Morais


A Cachoeira de Cocais, fica localizada na cidade de Barão de Cocais,em MG/Brasil.
No Distrito de Cocais, a cachoeira pode ser alcançada por trilha.
Ela possui dez quedas d’água que descem de uma montanha de pedras com mais de 30 m de altura, proporcionando um espetáculo maravilhoso. Os saltos formam duchas naturais e uma grande piscina que proporciona gostosos banh