Doce gatinho

Vem cá,
vem gatinho matreiro!
Para de me olhar assim,
e vem jazer aqui no meu regaço.
Guarda essas garras afiadas,
e deixa-me mergulhar nesses caminhos
aos quais teu belo olhar de ônix,
me conduz!
Permita que meus dedos te cubram
de carícias,
e afaguem esses seus medos
imprevistos,
tão versado em tua íris.
Deixa que eu roçague meus dedos
no teu dócil torso,
e ensarte minhas garras
na tua cabeça de brancura nívea.
Vem, vem, amável felino.
Deixe-me senti-lo mais de perto!
Se apeie, 
saia dessa cesta que o aprisiona,e vem.
Sem deixar rastros.
Vem sentir minhas mãos já embriagadas
pelas delícias que irei te permitir,
se deixares que eu afague o teu elétrico lombo,
e  te cubra das cabeças aos pés
de um amor profundo, e arteiro.
E, se tudo isso não te bastar,gatinho,
serei , impecável.

Vem, gatinho,vem sem medo.
Esfacele-se  em mim
e te prometo,
não haverá escolhos.
Te farei dormir da maneira mais airosa do mundo.
Colocarei as mais belas canções clássicas
para escutares.
Sem ruídos.
Eugênia Morais
                                           

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